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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Serviços

No ônibus não podemos nem nos mexer muito, ao contrário, corremos o risco de cair por causa da alta velocidade e frenagens abruptas. Somos menos que mercadoria.
Se o governo não tem vergonha de oferecer um serviço de transporte como esse, utilizado por pessoas de quase todas as classes sociais e idades, utilizado até por turistas, imagine a qualidade dos outros serviços que eles oferecem longe dos olhos de todos?

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Continua



O que assusta não é a idade avançada e o corpo debilitado. Nem a vida abandonada, nem o esquecimento. Assusta a vida que continua apesar disso. A vida sempre continua.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Estou sentindo hoje tudo muito simples e ausente de significado. Por um lado, para variar um pouco, é bom se desprender do excesso de análise, este excesso de profundidade que às vezes chega a ser um tormento e nos torna escravos dos pensamentos. Por outro, a vida parece se esvaziar de certa magia.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Tempo para si


A louça para lavar tem sido a minha bênção. É lavando pratos, panelas e talheres que consigo colocar meus pensamentos em ordem, entender meus processos mentais, meus bloqueios. Normalmente, porém, não gostaria de realizar tal tarefa, assim como não gosto de me empenhar noutras atividades domésticas. 

Talvez este seja o mal da sociedade contemporânea: ninguém gosta de gastar muito tempo fazendo algo totalmente para si mesmo. Há uma ansiedade geral em poupar este tempo consigo para gastar com trabalhos para terceiros. Então, muitas vezes, quando você dá aquele gás no escritório, sua própria casa começa a ruir pouco a pouco.


Eu, por exemplo, não gosto de sentir que me prolongo para fazer algo básico, como cozinhar, quando deveria estar fazendo qualquer outra coisa que se reverta em dinheiro. Deste modo, uma tarefa cotidiana trivial se torna enfadonha e parece levar uma eternidade. Por crer que deveria custar menos tempo, tenho a impressão de que requisita um esforço muito maior para ser concluída.

Esqueço, entretanto, que cada tarefa leva o seu determinado tempo para ser concluída e este tempo precisa ser respeitado. E, ironicamente, uma simples atividade doméstica pode ser aquilo que te coloca no eixo de novo, porque te tira das tumultuosas redes sociais, ocupa as mãos e, por exigir atenção, também ocupa a mente, que antes estava presa a pensamentos estressantes, obsessivos, ou largada numa perigosa ociosidade e paranóia.


Tanto quanto um dia no spa, lavar uma louça, no final das contas, pode ser aquilo que faltava para tranquilizar as emoções. Dedicar mais tempo às tarefas domésticas, cuidar do próprio espaço e da própria sujeira é ser responsável por si e ser respeitoso consigo mesmo.


Dica: isso vale para mulheres E homens. Nunca é demais lembrar.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Justiça social


Às vezes deixar que as pessoas te ajudem, fazer elas se sentirem úteis, também é um gesto de afeto. 

Uma vez estava no carro com a minha mãe, parada no farol. Veio uma senhora com algumas poucas balas nas mãos querendo vendê-las, mas minha mãe, achando que estava ajudando, recusou as balas para que ela economizasse seu escasso produto, e quis dar dinheiro a ela sem levar nada em troca. A senhora começou a chorar e a pedir para que a minha mãe comprasse as balas: "Não... Compra as balinhas...", insistiu. Neste instante de confusão, o farol abriu e minha mãe saiu com o carro sem dar o dinheiro e nem comprar as balas.


Neste episódio, ficou claro para mim o quanto respeitar o próximo, preservar a dignidade do outro, muitas vezes é um sinal de gentileza muito maior do que a velha e boa "caridade". Ao invés disso, prefiro o conceito de "justiça social", aprendido em anos de colégio judaico. Tratar as pessoas, independente da classe social, da faixa etária, do grau de instrução, da etnia, da aparência e do gênero com o mesmo respeito; auxiliar sem desmerecer, oferecer meios e ferramentas sem rebaixar.

Quando uma pessoa procura te ajudar com sinceridade no coração, aceitar a ajuda de peito aberto e com gratidão muitas vezes é tudo o que elas desejam em retorno. Permitir que a pessoa se sinta de fato útil.

Quando alguém oferecer para pagar a conta, não brigue nem insista, não há necessidade disso. Agradeça e retribua depois. Aceite este gesto de gentileza. Você pode não saber, mas talvez tudo o que aquela pessoa precisava naquele dia era sentir que o dinheiro dela estava sendo valorizado por outros, que ela pode contribuir para o bem-estar alheio.
Isso dignifica, aumenta o senso de importância que alguém tem de si mesmo.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Detox


Estar apaixonada por alguém é como estar sob efeito de drogas. Então, da mesma forma, se desapaixonar é como entrar num processo de desintoxicação. Pausa. Tudo bem que nunca precisei realmente passar por um processo de desintoxicação de drogas, no sentido literal, para saber como é, mas digamos que, para mim, na minha detox de paixão eu tenho os seguintes sintomas:

- Sinto calafrios, como se o fantasma do ser amado estivesse espiando por cima do meu ombro

- Fico enjoada, como se todos os sapos engolidos e todas as palavras e situações constrangedoras; todas as declarações em vão e todas as lembranças quisessem sair goela a fora para depois serem esquecidas
- Suspiros. Muitos suspiros. Suspiros tristes de pesar podem ser ouvidos pela casa vazia. Restinhos de alma que se evaporam pela boca
- O coração aperta, a garganta aperta, a boca seca, os olhos ficam úmidos
- Conversas sem fim com amigos nas redes sociais começam a ocorrer. E encho tanto a paciência deles que preciso selecionar a cada dia para não sobrecarregar um só com tanto drama
- Sinto a vertigem dos desiludidos, de quem um dia se sentiu no topo do universo, mas depois olhou para a dura realidade lá embaixo
- Então, de vez em quando, sinto como se estivesse em queda livre, o estômago dá um pequeno salto e as pernas ficam bambas
- E aí o baque. O corpo fica todo pesado e não quer mais levantar da cama, seguido de um sono infinito e resfriados contínuos
- Vontades súbitas de ir fazer trabalho voluntário na África, trabalhar no Canadá, fazer aliah para Israel e viver num kibutz plantando laranjas ou montar uma ecovila em Granja Viana aparecem aqui e ali
- A mão de mandar mensagens chega a tremer, se é que não vai em frente e faz exatamente isso, me humilhando ainda mais para o amor não correspondido em questão

Este processo pode durar algum tempo e os sintomas podem se intercalar ou ocorrer simultaneamente todos juntos ou apenas alguns combinados. E depois de rastejar por esta espécie de luto do amor, criei uma estratégia que gostaria de compartilhar, mas que ainda está em fase de desenvolvimento. Aqui um passo a passo prático para sair da fossa e recomeçar a viver com dignidade:

- Todos os dias de manhã, antes de qualquer coisa, abra as janelas
- Esqueça o celular em casa e se, por ventura, cair na tentação de stalkear, desligue na hora ou jogue ele longe, cruzcredo. Not today, Satan
- Toda vez que lembrar da pessoa, faça pelo menos 15 segundos de algum exercício físico até esquecer
- Ache uma atividade que te proporcione prazer e conforto. Para mim funciona ouvir música, tenho aqui toda uma playlist motivacional da melhor qualidade engatilhada
- Saia para passear, saia com os amigos, saia com a família, saia com o cachorro
- Permita-se se amar, olhe no espelho com sincero orgulho e perdão
- Faça cursos novos, conheça gente nova
- Psicanálise é sempre uma boa opção
- Respire fundo, quantas vezes for necessário. Tenha paciência consigo mesmo
- Pratique meditação
- Tome um banho quentinho
- Foque no trabalho
- Faça tudo o que puder levando o dobro do tempo que normalmente levaria, prestando muita atenção no que está fazendo
- Adie cada vez mais o motivo do seu vício. Adie aquele pensamento: "vou pensar nisso mais tarde". Adie aquela mensagem: "respondo isso depois". Adie cada vez mais até não sentir nenhuma necessidade disso
- Se dedique a alguma atividade manual, cuide do seu jardim ou cultive um jardim
- Tente lembrar sempre que puder do quanto é importante passar por esta fase e do quanto é importante se desvincular desta pessoa
- Perdoe também, se esforce para encontrar o perdão dentro de si, liberte-se



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Das Incoerências da Vida


Preciso de equipamentos para trabalhar e trabalhar para ter equipamentos. Nos sites de vagas de emprego, exigem que eu, desempregada e sem dinheiro, pague para poder ter acesso às empresas e não que às empresas paguem para ter acesso a mim. Quando me entrevistam, perguntam logo se já tenho empresa aberta, porque não querem arcar com chatíssimos direitos trabalhistas que me ajudariam a fazer o serviço, tais como vale transporte, vale alimentação, férias pagas, horas fixas etc. Não. Querem que eu pague para trabalhar com um sorriso no rosto.
Se eu estivesse trabalhando, estariam me sobrecarregando com a função de 10 pessoas e pagando por uma só. Tem que ter experiência para trabalhar e trabalhar para ter experiência. Sou muito qualificada para determinadas vagas; sou pouco qualificada para outras; sou muito jovem para certas coisas; sou muito velha para outras. Enquanto isso o tempo passa.
Falam para eu abrir o meu próprio negócio, mas preciso de dinheiro para empreender e empreender para ter dinheiro. Quero ter uma conta no banco para colocar o dinheiro, mas precisa de dinheiro para manter uma conta no banco. E com esta idade, minha mãe já tinha a primeira filha, casa, carro e metade da carteira de trabalho assinada.
Numa dinâmica em grupo, não pode falar muito de si, para não parecer arrogante, mas também não pode ficar sem falar, senão parece uma ninguém. Não pode sair organizando, porque querem pau mandado, mas não pode só ficar obedecendo, porque querem gente com iniciativa. E cuidado para não dar uma de engraçadona, porque não é profissional, mas esta cara séria é tão antipática, né?
Quero estudar para ter emprego, mas preciso de emprego para estudar. Queria fazer intercâmbio, mas se fizer é capaz de perder o bonde e quando voltar não ter mais vaga no mercado. Resolvo focar nos projetos pessoais, mas me sinto culpada por não estar mandando currículos e quando mando currículos, lembro dos projetos parados. Enquanto isso tem criança de 12 anos ganhando Nobel da Paz e descobrindo a cura do câncer.
Tantas realidades inconciliáveis numa lógica incoerente que enxerga as pessoas com data de validade e com uma rígida agenda pré-determinada, ao mesmo tempo em que romantiza os aventureiros. Muitas vezes parece que o tempo já passou, mas que o momento nunca chega. Parece que a vida não acontece, enquanto tudo muda ao redor. Tudo menos eu. Eu não aconteço, eu não sei quem sou, não sei o que faço, não sei o que quero, não sei o que sinto. Já nem opino mais. É inútil. Nada parece se transformar, nada realmente necessário. Estamos andando em círculos e não chegamos a lugar algum. Qual é o meu valor, qual é o valor do outro? Para que tudo isso?

sábado, 13 de agosto de 2016



Ando pensando naqueles tempos em que tudo era mais difícil. Jovens apaixonados em tempos de guerra, ou mesmo em tempos de paz, ficavam meses sem se ver, precisavam se comunicar por cartas e olhe lá. Quão ardentes não eram essas paixões, esses amores impossíveis?
Hoje com tudo ao alcance de um clique, ninguém mais se dá ao trabalho, ninguém valoriza. Vivemos mesmo em tempos de amores líquidos, tudo descartável. E as pessoas têm tempo, hein? Ô se tem...
Tempo de sobra para não ver amigos, não falar com a família, dispensar aquele abraço, postergar aquele beijo... Não aceito isso, não existe futuro, só presente. Não tenho tempo a perder. Sou faminta, não sei ser requentada em banho maria, já entro na panela fervente e viro logo vapor.

Sofri uma queimadura no peito, bem onde já estava doendo. Estava doendo tanto que pegou fogo quando entrou em contato com a manta. Estava doendo tanto que sequer consegui perceber que a dor era externa, não interna, tão imersa estava neste sentimento. O que doía por dentro passou a doer mais e foi para fora. A dor deste coração que não escolhe, apenas ama sem querer e não recebe amor de volta. E dói, se contorce, grita, sangra, agoniza, queima.

domingo, 31 de julho de 2016

Mudar


Eu sou uma pessoa bem diferente do que eu pensava que fosse. Quem eu sou fugiu completamente do meu controle. E estou tentando lidar com erros inéditos e me desapegar da necessidade constante de agradar as pessoas, custe o que custar. Eu sou quem eu sou, se alguém tem algum problema com isso, não é da minha conta.


Talvez seja uma surpresa para as pessoas, mas eu não sou aquela imagem estática que eu mesma achei ser durante tanto tempo. Um ideal fantasioso de mim. Eu mudo o tempo inteiro, influenciada pelas situações, pelas pessoas, pelos meus pensamentos e minhas emoções. Eu simplesmente não posso mais tentar corresponder a este modelo plano e falso, não posso continuar lutando contra a natureza e me martirizando caso não interprete bem este papel para mim mesma e para os outros.

A verdade é que eu tenho medo de ser rejeitada, abandonada e, por todos os lados, vejo esta expectativa silenciosa, esta análise e também um pouco de julgamento, pelo qual as pessoas tentam decidir se vale a pena continuar ao meu lado ou não. Entretanto, no fundo tudo pode não passar de paranoia, no fundo ninguém presta tanta atenção assim, eu acho.

Deste modo, vou continuar vivendo e abraçando as minhas mudanças da melhor forma possível. Vou continuar observando meus pensamentos e minhas emoções, porque sei o quanto isso é importante para se viver feliz, mas não por causa de outras pessoas.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Chegou um ponto em que percebo, um tanto estarrecida, que não posso proteger ninguém, talvez nem eu mesma. E o que sobra? Viver, eu acho, mas sabendo que a vida não tem rede de proteção. O controle é uma ilusão parcialmente abandonada. O paradoxal medo da morte. O que resta? O que importa? Eu sou a minha única sina real, mas não vivo numa ilha, não posso nem fingir que vivo. Estamos o tempo inteiro interferindo na vida dos outros e os outros na nossa. Talvez eu seja mimada e egoísta, mas por alguma razão, dentro de outro contexto, minhas faltas parecem menos criminosas. Preciso ser mais justa, acho. Comigo e com os outros.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Encarando a Caixa

Ontem me coloquei numa posição de vulnerabilidade até então inédita para mim. Estava diante de uma turma grande de pessoas, num espaço grande, sendo observada atentamente por todos e por pessoas cuja opinião sobre mim eu prezo. Ensinei-as algo que eu também tenho bastante dificuldade em executar, suei, hesitei, fraquejei, mas ali estava eu, independente disso, determinada a passar o máximo de informações possível. 
Foi como abrir a caixa de Pandora da minha mente, onde ficam guardadas todas as minhas inseguranças. Vulnerável, centro de todos aqueles olhares, meu cérebro começou a trabalhar alucinado tentando apontar e aumentar todos os mínimos detalhes que poderiam ser motivo para alarme, como se quisesse procurar sinais de perigo eminente: um desajustado alarme de incêndio que ressoa alto e estridente, sem haver, no entanto, nenhum sinal de fumaça.
Meu corpo estava pronto para a retirada, mas a minha mente estava focada em ir até o fim. Isso causou um tremendo rebuliço interno, fez os monstros todos, que se alimentam das minhas fraquezas, ficarem muito confusos e saírem trombando uns nos outros de dentro da famigerada caixa.
Ao término da pequena e um pouco desajeitada aula, não conseguia parar de sorrir de satisfação por ter conseguido passar por isso. Meus monstros estavam todos caídos, cansados, derrotados. Tentaram mais uma investida pouco antes de dormir, mas desistiram exaustos e voltaram para dentro da caixa.
Acordei diferente. Sinto como se algumas situações no passado que foram fontes de aborrecimento e sofrimento, hoje parecessem muitíssimo mais simples. Tenho a impressão de que conseguirei lidar melhor com um evento semelhante no futuro ao ampliar gradativamente a minha zona de conforto. 
Ensinar algo a outra pessoa também é, afinal, uma forma de autoconhecimento. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ansiedade

A ansiedade, percebo agora, têm sido uma leal companheira ao longo destes anos. Em alguns períodos ela cresce, em outros ela parece se perder no meio de rotinas atribuladas. Só quando me desobrigo de atividades contínuas consigo perceber sua presença, ainda aqui, fazendo a minha cabeça voar de pensamento em pensamento, perder horas e horas numa dispersão mental sem fim pelas redes sociais.

A ansiedade, percebo agora mais claramente, tem me tirado energia e talento. Por conta disso, eu não consigo mais focar nas minhas tarefas e terminá-las. Se antes eu conseguia fazer coisas incríveis, hoje pequenas realizações como ir ao banco abrir uma conta se tornam motivo de comemoração. Coisas pequenas como decorar uma letra de música, uma coreografia, algumas palavras em outro idioma, fazer um desenho bem feito, ler ou escrever um texto até o final, hoje exigem de mim um esforço enorme. Acho que manter o foco numa coisa só e se empenhar de verdade nesta coisa é a chave real do sucesso e do aprimoramento. Entretanto, anos de mente dispersa foram capazes de minar minhas habilidades, fazer falhar constantemente a minha memória, dificultar processos mentais e impedir a realização de tarefas rotineiras básicas.


Eu descobri agora a fonte da minha angústia e da minha frustração e este é o primeiro passo no caminho para a retomada da minha vida. Não garanto excluir totalmente esta sensação, mas vou procurar, com certeza, prestar mais atenção a isso, fazer exercícios para descondicionamento comportamental, criar hábitos mais saudáveis. Pouco a pouco, com muita paciência e carinho, tarefa a tarefa, respiro a respiro.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cesta de frutas


O bolinho de arroz não poderia simplesmente se juntar à cesta de frutas...





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Japonês



Estudar japonês exige, antes de tudo, coragem para encarar as letras.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sobre viver sem culpa

Numa rajada de compreensão, um peso abandonou meu corpo e cedeu a uma justiça leve.

Talvez eu esteja sendo muito dura comigo mesma. Tenho duvidado constantemente até das minhas intenções, julgando, logo de início, que não são boas. Me declarando culpada sem chance de recorrer.

Mas, por um momento, compreendi suspirando aliviada que algumas coisas são o que são, numa espécie de neutralidade pragmática. Fiz o que fiz, porque precisava fazer. Sem juízo de valores.

Assim como é impossível eu ser a santa que às vezes penso ser, é impossível eu ser essa bruxa implacável que eu ando me retratando. Nem tanto no céu, nem tanto na terra.

E então eu procuro me liberar desse peso pouco a pouco, nas pequenas decisões cotidianas. Como eu já concluí antes: eu não preciso pedir licença para existir. Eu tenho direito a existir. E tenho direito a uma existência livre de culpas.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Seja melhor


Oh, I get it, now.

Pessoas que não fazem nada relevante e nem possuem nada de bom para falar são aquelas que sempre procuram criticar e corrigir os outros, não importa a ocasião. É assim que funciona.

Eu conheço gente assim. Você, se tiver o mesmo azar que eu, também conhece. O remédio para isso? Talvez seja evitar ao máximo a convivência. Sim, isso deve funcionar...

Mas tem outra coisa. Gente assim me inspira a ser diferente, me inspira a ser melhor, a produzir mais...

Porque o mundo não precisa de mais gente mané que não consegue deixar de reparar na manchinha minúscula e imperceptível da ponta do seu sapato. Ou que não consegue ignorar o mais simples erro de português da sua frase e, imediatamente, corrige. Você REALMENTE não quer ser este tipo de pessoa, né?

Né?

Então não seja este tipo de pessoa, combinado? Seja melhor. Seja aquela que você gostaria de passar o tempo junto. Aquela que você sentiria saudade e compraria presente fora de hora. Aquela que você consegue abraçar com sinceridade e sem constrangimento. Conseguiu mentalizar aí? Ótimo.

Agradeço.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sobre o meu direito de odiar o verão e falar abertamente sobre isso


Às pessoas que gostam de verão e não permitem que eu não goste e manifeste isso, eu dedico todas as baratas que apareceram na minha varanda e no meu banheiro.

Eu dedico todos os pernilongos que se banquetearam com o meu sangue.

Eu dedico todas as minhas noites insones.

E todos os meus dias improdutivos.

A todos aqueles que gostam de verão e não conseguem assimilar alguém que não goste, eu dedico todos os dias nos quais eu morri cozida no transporte público.

Todas as vezes em que a minha pressão abaixou.

Todas as vezes em que fiquei tonta.

E todas as vezes em que fiquei desidratada e doente.

A todos esses estranhos seres adoradores do sol, eu dedico todas as cantadas nojentas que já ouvi na rua por usar "uma roupa mais curta".

Dedico todas as contas de água gasta para lavar quilos e quilos de lençóis, fronhas e trajes suados.

Dedico todas as minhas plantas mortas.

E toda a dor da pele castigada pelo sol, apesar do protetor solar.

Ofereço a todos essas pessoas perturbadas, que tem a audácia de reclamar do inverno, toda a angústia dos meus amigos caninos e felinos com seus casacos de pelos permanentes.

Toda a comida que rapidamente estragou.

Todo o fedor das pessoas que transpiram irremediavelmente.

E todos os aparelhos eletrônicos pifados.

A vocês, um abraço bem grudento, bem molhado e bem demorado.

Porque verão só é bom dentro de uma piscina ou dentro do mar. No máximo no ar condicionado de alguma loja. E só!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Desejo sincero



Eu desejo que todas as pessoas ao meu redor se tornem cada dia mais conscientes.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

10 anos atrás


Hoje faz dez anos da minha cerimônia de Bat Mitzvá.

O fato de eu lembrar disso não é uma celebração ou um  lamento, mas uma constatação de uma época da minha vida.

Algo curioso a se considerar é a minha participação nesta cerimônia, que ocorreu no colégio judaico onde cursei todo o Ensino Fundamental. Ou seja: onde passei outros dez anos da minha vida.

É curioso, porque a minha participação no Bat Mitzvá não foi realizando uma reza, mas cantando um poema chamado "Eshet chayil", que significa "Mulher virtuosa". 
É um poema do último capítulo do livro de provérbios do Rei Salomão, cuja função não é adorar a deus ou à fé judaica, mas enaltecer a figura da... Mulher.

Hoje, meu coração liberto da crença religiosa, fica contente com essa peculiar, quase premonitória, participação. 
Algo que pode ser chamado de ironia do destino.

Uma menina que um dia abandonaria crenças em divindades, mas acreditaria, acima de tudo, no poder do amor.

Aprecie neste vídeo o ápice da minha religiosidade e, ao mesmo tempo, não religiosidade.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Proteção

De repente surge uma vontade aguda, ardida e urgente de proteger aqueles que me são caros.  Proteger de todo o mal, de toda a intolerância, de toda a inveja, de toda injustiça, má vontade, dor, perda, rejeição, antipatia e incompreensão. 

Proteger até aqueles que não me vêem como amiga íntima, que talvez nem cogitariam me proteger sequer de um pernilongo, mas que eu os guardo bem lá no fundo do coração.

Você pode não gostar da minha família e dos meus amigos, até eu posso não gostar deles às vezes, mas te retiro todo e qualquer direito de machucá-los.

Podemos fazer parte de um grupo seleto e particular de excluídos, de nerds, de traumatizados, de esquisitos, de caretas, de anônimos, de introvertidos, de incompreendidos... Podemos ser do time dos que não recebem aplausos na formatura, dos que sempre eram escolhidos por último para as equipes das aulas de Educação Física, dos que pagam por festas de aniversário para ninguém ir, dos que não recebem "curtidas" no Facebook ou em qualquer outra rede social, dos que fazem piada e ninguém ri, dos que precisam sempre ceder espaço para os outros, dos que não são notados quando estão num lugar e dos que ninguém sente muita falta quando se vão.

Mas esse é o meu time. E ai de você se pensar mal dele.

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