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quarta-feira, 2 de novembro de 2016


Todas essas silenciosas partes do meu corpo, que não escuto, mas que ouvem cada uma das coisas que eu digo, impotentes.
Talvez se manifestem em doenças, talvez sejam na verdade poderosas.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Desfazeres

Eu me faço chuva
Me faço sem limites e sem margens no espaço e no tempo

Me faço lenda
Tão distante de todos


Um dia senti meu coração despencar,

Como se por um momento ficasse suspenso no ar em queda livre
Já senti meu coração alfinetar a cada batida e perdi o fôlego
Numa busca incessante por amor

Não mais


Hoje me faço livre, me faço fogo e ardo junto com os astros

Perpétuo
Sem nome

Eu não sou mais a resistência

Não sou mais
Não sou

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Quem criminalizou a vida?


Não sei quem criminalizou a inocência
A timidez
A tristeza
E a introspecção.

Nem quem fez o desfavor de criminalizar o prazer
A risada solta
O abraço apertado
E o sexo.

Também queria saber quem criminalizou a sinceridade
A gordura localizada
As declarações piegas de amor
E a liberdade.

Não sei quem é, mas...
Ô. Sujeito. Amargo.
Sujeito estranho.
Reprimido.

Vê se toma jeito!
Trate de descriminalizar!

Tudo isso é natural e mal não faz.
Deixem-nos viver nossas vidinhas em paz.

domingo, 15 de fevereiro de 2015



Para fazer o belo, você não pode temer o feio.


quinta-feira, 13 de março de 2014

Lapso de realidade (ou Olhar atento)


Às vezes me pego olhando algo ou alguém como se fosse a primeira e última vez. Como um lapso no qual eu, no futuro, encarno e desperto no meu corpo presente apenas para vivenciar situações que já se foram.

Passar um milésimo de segundo a mais com aquela pessoa adorada e seu sorriso amável ou seu olhar distraído e inadvertido.

Afagar meu cão e o meu gato mais uma vez, sentir a textura dos pelos e a respiração que faz subir e descer o peito sonolento.

Observar minha mãe se arrumando para o trabalho com mais atenção, sentir o calor do secador de cabelo e o perfume adocicado que se pronuncia nos vapores do banho.

Tocar minhas plantas na varanda, inspirar a brisa úmida da terra recém aguada e interpretar as poucas nuvens que flutuam no céu muito azul.

É inacreditável como sou afortunada. Desejo ardentemente que o momento não se vá, até que ele se torna, por um instante, infinito. Para depois escorregar etéreo como o véu de Maya.

Silêncio. Paz. Gratidão.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sede de viver


Estava tão sedenta de vida que bebi pelas minhas mãos e respirei pelos meus poros.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Livrai-me




Livrai-me do cinismo.
Do ceticismo.
Do sarcasmo.

Livrai-me do senso de ridículo.
Da superficialidade.
Do banal.

Livrai-me dessa falta de poesia.
De magia.
De algo mais.

Livrai-me da falta de curiosidade.
De vontade.
De luta.

Livrai-me da mediocridade.
Dos limites.
Do seguro.

Livrai-me desse excesso de razão.
Desse comodismo.
Desse vazio.

Livrai-me do imediato.
Do egoísmo.
Do comum.

Livrai-me dessa falta de interesse.
De prazer.
De amor.

Livrai-me dessa falta de criança.
Dessa falta de dança.
Dessa falta de sorriso.

Que nunca me falte o encanto.
Que nunca se vá minha ingenuidade.
Que a vida seja eterna graça.
Eterna surpresa.
Eterno aprendizado.

Amém.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O tamanho do coração


Existem corações de todos os tipos e tamanhos. 

O meu deve ser pequeno e reservado, porque, às vezes, toma um susto de tanto amor que aparece e transborda afeto para todos os lados.

Enquanto outras vezes parece que só resta um vazio sem fim que aperta e encolhe, encolhe, encolhe. Torce até escorrer algumas lágrimas, que depois secam com um suspiro.

Meu coração tem também alguns remendos aqui e ali. Vira e mexe eles soltam e isso machuca um pouco. Conserto sempre tem com uma boa risada com alguém querido.

Meu coração às vezes fica leve feito um balão ou pesado feito uma rocha. E é agitado feito as asas de um beija-flor, até pula uns compassos. É que a vida emociona e a paixão não me deixa mentir.

E tem gente que tem um coração do tamanho do mundo, com muito espaço para amar sem fim. Me pergunto se também acaba sobrando espaço para a dor. Deve ser difícil de administrar, no final das contas.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Medo


Nos últimos tempos, perdi meu medo de agulha, do escuro, do mar, do rio, do frio, da dor, de virar de pernas para o ar, de dançar na praia como se areia fosse linóleo de palco, de cozinhar para mim, de cozinhar para os outros, de gato, de gente, de falar ao telefone e de falar ao vivo, da nudez, de depilação com cera, de fazer trabalho para conclusão de curso sozinha, de trabalhar, de acordar antes das 5, de banco, de martelo, de prego, de alicate, de parafuso, de bucha, de furadeira e de cabo elétrico, de ser como gosto de ser, de andar com quem gosto de andar, de evitar quem eu preciso evitar, de rir sozinha no ônibus, de agradecer meus pais, de perdoar meus pais, de não estar com a razão, de me olhar no espelho, de tocar os outros, de não ser bonita, de falar sobre todo o tipo de coisa,  do fracasso, das minhas lágrimas, do imprevisto, do silêncio, do barulho, do vazio.

O medo não é estático, exige superação constante sobre si mesmo. Por isso, ainda terei muitas e muitas oportunidades na vida para ser corajosa.

Ainda bem.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Decepções



De decepção em decepção, me restou um vazio pulsante, um silêncio ensurdecedor e lágrimas mais secas que um deserto.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sobre a música



Música boa leva a alma para dançar...


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Numa madrugada...


... Encontrei este vazio de novo.

Este silêncio.

Este medo de existir.

Esta ausência total de perspectivas.

Sabe?

Esta sensação de que eu já perdi tempo. 

De que eu já estou velha demais para começar qualquer coisa.

Reencontrei este "descaminho".

Porque estou cansada destes caminhos que nunca me levaram a nada.

Meu deus como perdi tempo!

Reencontrei esta ausência crônica de informação.

De ajuda.

De compreensão.

Esta falta de investimento. Esta falta de notícia. Esta falta de paixão.

Falta tudo.

Falta começo.

Falta recomeço, meu deus!

Falta meio.

Falta resgate.

Um dia dormi para sempre, mas ninguém me acordou. Piquei meu dedo numa agulha envenenada e só me resta expulsar o veneno...

Sozinha.

Quanto mais tempo passa, maior a solidão.

Né?

Imersa numa solidão sufocante. 

É tanta gente querendo, é tanta gente buscando, é tanta gente correndo, é tanta gente vivendo, respirando.

É tanta gente e ninguém.

Reencontrei esta absoluta carência de talento.

Esta incrível falta de vontade.

De viver.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobre pessoas grossas...



Deve ser muito difícil precisar de uma casca grossa para viver e se relacionar com as pessoas.

Deve ser muito difícil ter que fazer pose de mau e insatisfeito o tempo inteiro, para que os outros desistam do bem escondido lá dentro.

Deve ser muito difícil ter sempre que se auto-afirmar, porque é incapaz de se amar por completo sem inferiorizar o outro.

Deve ser muito difícil precisar da grosseria toda hora para se comunicar, ao invés de usar palavras suaves.

Deve ser muito difícil não poder amar por medo de que te amem em retorno.

Deve ser muito difícil, mesmo, estar convencido de que não é feliz.

segunda-feira, 13 de maio de 2013




Tem gente que dói.




Tem coisas que curam.




segunda-feira, 22 de abril de 2013

Perecível


Cá estou, tão perecível. Olho minhas mãos e sei que um dia elas não estarão mais aqui. Nem os meus olhos, nem eu olhando. Na verdade, já devo ter perecido e tudo isso não passa de um delay de consciência, uma lembrança.

domingo, 21 de abril de 2013

Alguém aqui dentro


Tem alguém aqui dentro que não gosta quando vê ou ouve certas coisas. Que não gosta quando a curiosidade manda ler determinadas notícias, quando a mente insiste em analisar uma questão repetidas vezes.

Uma consciência interna, desprovida de nome ou forma.

Algo que apenas É.

E deseja SER sem ser essas turbulências cotidianas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sobre o ódio


Ódio é uma coisa que as pessoas inventam.

segunda-feira, 11 de março de 2013


"Comigo viu-se doida a anatomia

Sou todo coração."

E eu sou toda chuva. Alagando e alagando ininterrupta. Escorrendo lentamente por todos esses cantos que não pude remediar e agora se alargam.

Sou toda chuva do princípio ao fim.
Sou toda chuva, meu deus, sou toda uma chuva inesgotável.



Quantas vezes mais uma pessoa consegue remendar um coração partido?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estrangeira


Hoje me estranhei em tudo, desentendi meu lar, não me reconheci em nada.


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