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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Serviços

No ônibus não podemos nem nos mexer muito, ao contrário, corremos o risco de cair por causa da alta velocidade e frenagens abruptas. Somos menos que mercadoria.
Se o governo não tem vergonha de oferecer um serviço de transporte como esse, utilizado por pessoas de quase todas as classes sociais e idades, utilizado até por turistas, imagine a qualidade dos outros serviços que eles oferecem longe dos olhos de todos?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sobre a corrupção


O Brasil insiste em continuar sendo um país de terceiro mundo. Tem absolutamente tudo para dar certo, mas não, se limitou a ser um paraíso fiscal de bandidos. É de uma burrice patética. Patética e fatal. Ou será que se os fiscais de segurança realmente fiscalizassem os estabelecimentos, os invés de receber propina, tragédias como a da balada de Santa Maria não poderiam ter sido evitadas?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Brasil


Às vezes eu tenho a impressão de que quando não existe crise, se inventa uma. O Brasil, por não ser ameaçado pelas forças da natureza, nem viver em guerra, criou a própria crise: a corrupção.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Apolíticos


No momento, estou quase preferindo uma sociedade de apolíticos à esta de manipulados.O que? Você acredita que "analfabetos políticos" são mais manipuláveis? Tem certeza? Hoje eu sinceramente não acredito nisso. Acredito sim que, na realidade, as pessoas mais manipuladas são as que se norteiam através de uma escolha partidária. E aquelas "ignorantes"de política, na realidade, são capazes de enxergar uma situação com mais clareza, sem as lentes dos interesses de um partido.

É claro, qualquer generalização é burra. Só estou tentando dizer que eu, com a pouca afinidade política que tenho, justamente por isso sou capaz de enxergar o sofrimento humano por trás de uma ação. Sou capaz de enxergar que NADA justifica a agressividade dos políciais militares contra os estudantes da USP, que existem meios mais civilizados para argumentar, que eu entendo que os PMs se arriscam todos os dias por um salário miserável... Entendo tudo isso. E exatamente por isso não vou chamar os estudantes da USP de baderneiros rebeldes sem causa nem os PMs e a coordenação da USP de ditadores truculentos e retrógrados. Essa não é a questão.

Só isso.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Adivinha

Adivinha só...
O mundo é podre.
E o seu voto num candidato ou em outro não vai fazer diferença.
Você não passa de um boneco títere.
Pode esquecer as suas pesquisas, as suas fontes, porque tudo o que você precisa saber está muito além delas.
Está nas pessoas ali representadas e representantes
Na criação
Na família
Na história
Nos traumas
Nos valores
Nas contradições
Nos sonhos
Nas vontades
E isso não temos como saber sequer sobre nós mesmos.
Esqueça.
No fundo todos são vigaristas e vítimas.
E vão fazer de tudo para manter as coisas exatamente como estão.
A verdade é:
O mundo é podre
E tudo isso parece um espetáculo encenado

Mas adivinha só...

O mundo é podre.

A vida não.
A essência não.
E se existe podridão...
Também existe pureza.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Eleição é como tentar ganhar na loteria: você aposta em candidatos, mas nem sempre acerta aqueles que serão eleitos, porque a sua opinião depende da dos outros. E essa é a maior infelicidade e também felicidade.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lista de supermercado


Me incomoda a sensação de procurar candidatos em uma lista, sem ver seus rostos, suas propostas, suas histórias e origens. É quase como quando procuro médicos do convênio para me consultar. Sem uma informação sequer além do nome, não consigo escolher por outro critério senão esse! E, como toda escolha às cegas tem seu risco...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

De volta para o passado




Recentemente, pude verificar, com muita tristeza, a linha de pensamento jovem da atualidade a respeito das relações pessoais, ou ao menos de uma parte dos jovens. Após anos rumo à evolução, ou como diria um amigo meu, após anos seguindo numa ordem crescente, constato um regresso de âmbito militar, ditatorial, uma ordem decrescente. Não pretendo me demorar nisso, mas explico a teoria: a humanidade vem evoluindo no decorrer dos anos e na década de 60 e 70 várias questões lançadas anteriormente foram de fato discutidas e colocadas em prática, propostas culturais e ideológicas alternativas, as quais pretenderam modificar a ordem social vigente. Eu não estava presente, é claro, mas faço parte do fruto disso e posso notar, por efeito de comparação e reflexão, que graças aos projetos anteriores temos consciência ambiental, não apoiamos a discriminação, a guerra e a desigualdade. Graças a essas rupturas, aos valores presentes naquela época, é possível vislumbrar outros caminhos para se percorrer nesta vida, caminhos nem sempre reconhecidos.

Não por sua iniciativa, mas por seus ideais, o PJP (Parlamento Jovem Paulista) revelou uma imaturidade assombrosa ao propor um projeto de lei claramente repressor, cujo objetivo é censurar e punir o contato físico entre os jovens, sugerindo obscenidade em manifestações de afeto. São sete artigos muito esclarecedores do projeto de lei 67/2009, assinado por Carolina Loures Thomé, dentre os quais cito:

Artigo 1º - Os/as alunos/as das escolas públicas e particulares ficam proibidos/as de namorar com intimidades, beijos e abraços dentro das dependências escolares.

Artigo 2º - Será considerado namoro íntimo se o casal de adolescentes estiver se beijando ou abraçando ou, ainda, isolado do grupo de colegas.

É difícil acreditar na existência de tal proposta, é doloroso, sobretudo, constatar que tenha partido de uma jovem, mesmo após tantos outros jovens, cujos ideais e cujas lutas seguissem por um caminho completamente diverso.

Se a sexualidade ainda é tabu, se há casos frequentes de doenças sexualmente transmissíveis, se ainda existe constrangimento em relação ao assunto, se o sexo é mistificado, se o corpo, o amor, o desejo e suas manifestações são ainda banalizados, não é por causa da disseminada livre expressão, mas porque a sociedade em si é doentia, repressora e pervertida e porque confunde naturalidade com obscenidade.

Com tantas questões de urgência a serem resolvidas, tais como o sistema de coleta seletiva de lixo praticamente inexistente (se comparada ao sistema tradicional), a violência, a fome, a poluição e a miséria econômica e intelectual, é inconcebível a idéia de pessoas priorizarem a repressão quase Inquisitiva aos jovens. Se estes manifestam desejo e carinho de maneira banalizada e/ou promíscua, é por conta da disseminação de uma mentalidade absolutamente maliciosa, a qual não poderia gerar outro comportamento senão o próprio reflexo disso, de uma falta de instrução emocional e sexual verdadeira, sensível e natural.

É triste, ainda, notar como a massificação da humanidade torna as pessoas tão padronizadas e industrializadas ao ponto de verificar jovens priorizando, acima de tudo, os estudos, o vestibular, a entrada num Ensino Superior e a vida profissional, excluindo as relações pessoais, a sensibilidade, a manutenção emocional, a lucidez, o auto-aprimoramento, enfim.

Não tenho a intenção de ser nostálgica, mesmo porque não acredito verdadeiramente na nostalgia, mas na permanência de aspectos positivos do passado. Tendo isso em mente, prefiro acreditar que as lutas e os debates culturais da década de 60 não foram em vão, que a maioria dos jovens discorda, mesmo intuitivamente, deste projeto de lei. Eu prefiro acreditar na evolução da humanidade, apesar de tendências simpatizantes a valores retrógados de uma época pouco elucidativa. Eu prefiro, enfim, acreditar e apelar ao que há de mais íntimo e sensível nas pessoas, àquela consciência sútil, com a qual somos capazes de acreditar, esperar e lutar por um mundo melhor.


P.S.: Como o PJP é apenas uma simulação da Assembleia Legislativa, seus projetos não entram em vigor.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O preço da carne

por Dagomir Marquezi

Chineses costumam encarar qualquer coisa que se mova como um alimento à sua disposição. Eles consideram o animal um mecanismo, um objeto, cuja dor e sofrimento não nos dizem respeito. Ironicamente, os piores exemplos de maus tratos acontecem na mesma Ásia onde nasceu o budismo – a mais benevolente e avançada religião do mundo no trato com os animais.

Nos tristemente famosos “mercados de vida selvagem” asiáticos há de tudo. Mamíferos, répteis, insetos, batráquios, tudo vai para gaiolas apertadas e lotadas sem água nem comida. Qualquer foto desses mercados é um permanente festival de sangue, urina e fezes. Há mais do que cheiro ruim no ar: existe medo. E vírus de diferentes espécies novas se combinando uns com os outros.

As imagens mais chocantes registram o que esses mercados destinam aos cães. Os mesmos cães que aqui viram membros da família, ajudam cegos ou orientam equipes de salvamento. Lá, cachorros são comida. E não se deixe enganar: esses mercados chineses não existem para “matar a fome do povo”. Chineses pobres comem frango e peixe. Os cães são “iguarias” caras, assim como gatos, escorpiões, cobras, enguias etc.

Eu tive a chance de ver fotos e vídeos desses mercados. Os cozinheiros acreditam que a adrenalina no sangue dos cães amacia a carne. Quanto mais sofrimento, mais apetitoso o prato. Em nome dessa carne macia, a palavra de ordem é torturar os cães até a morte. Eu já vi a foto de um pastor alemão sendo enforcado na viga de uma cozinha, sendo puxado pelos pés. Eu já testemunhei um vira-latas com as patas dianteiras amarradas para trás do corpo e desisti de imaginar o tamanho de sua dor. Assisti ao vídeo de um cão magrinho que foi mergulhado em água fervendo, retirado, teve sua pele inteirinha arrancada e ainda olhava a câmera, tremendo junto à panela onde foi cozido em vida.

A pergunta básica é: nós, humanos, temos direito a isso? Quem nos deu esse direito? Temos o direito de jogar uma lagosta viva na água fervente? Temos o direito de comer um peixe fatiado ainda vivo no seu prato num restaurante japonês? Temos o direito de prender bezerros em lugares escuros, imobilizados por toda sua curta vida, por um vitelo? Nosso paladar é tão importante assim na ordem das coisas? Um sabor diferente em nossas bocas justifica tudo?

A questão ultrapassa a esfera da ética e da civilidade. A Sars nasce no chão imundo dos mercados chineses. A doença da vaca louca – permanente ameaça na nossa pátria do churrasco – surgiu quando obrigamos o gado a se canibalizar. O terrível ebola se espalha com cada homem africano que devora nossos primos biológicos, gorilas e chimpanzés. Vírus mutantes saltam do sangue de aves para o dos homens sem defesas naturais. Segundo a revista inglesa The Economist, nada menos que 60% das doenças humanas surgidas nos últimos 20 anos têm origem em outras espécies animais. Tony McMichael, pesquisador da Universidade Nacional de Austrália, é bastante claro: “Vivemos num mundo de micróbios. Precisamos ser um pouco mais espertos no jeito como manejamos o mundo ao nosso redor.”

Mercados chineses e churrascos africanos parecem fenômenos distantes. Mas o brasileiro continua dependendo demais de alimentação animal. Temos uma churrascaria por quarteirão, e numa cidade de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, contam-se nos dedos os restaurantes vegetarianos. E ainda temos um lobby querendo ampliar a oferta de animais nas geladeiras: avestruzes, capivaras, jacarés, tudo criado em cativeiro com carimbo do Ibama. A cada nova espécie consumida pelo homem, mais uma mistura de vírus – algumas combinações inofensivas, outras não.

Para tentar controlar essas doenças, cometemos mais brutalidade: enterramos milhões de aves vivas, afogamos gatos selvagens em piscinas de desinfetante. Provocamos o desastre e massacramos as vítimas. Temos um caminho inteligente: racionalizar, humanizar e diminuir cada vez mais o consumo de animais. Ou podemos continuar o banho de sangue. Aí, todos nós pagaremos o preço.

Quando uma borboleta bate as asas na Europa, pode iniciar um furacão no oceano Pacífico. A Sars começou em mercados chineses e chegou ao Canadá. A gripe aviária já se espalhou por diversos países asiáticos e ameaça lugares distantes como o Paquistão e a Itália. Num mundo de vôos diretos, os gritos desesperados de um cachorro chinês podem chegar um dia ao Brasil por meio de alguma nova e tenebrosa sigla.

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