quarta-feira, 14 de abril de 2010

Momentos



Às vezes tento compreender por que com tanta satisfação risco da agenda as atividades já realizadas. Uma a uma concluo, uma a uma elimino, com o mesmo deleite de quando aprendi a simplificar equações matemáticas. Como se dissesse para mim mesma: "pronto, menos uma atividade enfadonha".


Porém, se a vida é feita de momentos e se uma tarefa também o é, seria, então, não apenas o ato de eliminar da agenda uma atividade entediante, mas um detalhe da vida. Então quer dizer que vivo desses momentos desagradáveis para passar para outros e outros o mais depressa possível?


Então compreendo que não podemos simplesmente desejar pular etapas, pois mesmo doloridas, mesmo irritantes, fazem parte da nossa breve estadia na Terra.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

De volta para o passado




Recentemente, pude verificar, com muita tristeza, a linha de pensamento jovem da atualidade a respeito das relações pessoais, ou ao menos de uma parte dos jovens. Após anos rumo à evolução, ou como diria um amigo meu, após anos seguindo numa ordem crescente, constato um regresso de âmbito militar, ditatorial, uma ordem decrescente. Não pretendo me demorar nisso, mas explico a teoria: a humanidade vem evoluindo no decorrer dos anos e na década de 60 e 70 várias questões lançadas anteriormente foram de fato discutidas e colocadas em prática, propostas culturais e ideológicas alternativas, as quais pretenderam modificar a ordem social vigente. Eu não estava presente, é claro, mas faço parte do fruto disso e posso notar, por efeito de comparação e reflexão, que graças aos projetos anteriores temos consciência ambiental, não apoiamos a discriminação, a guerra e a desigualdade. Graças a essas rupturas, aos valores presentes naquela época, é possível vislumbrar outros caminhos para se percorrer nesta vida, caminhos nem sempre reconhecidos.

Não por sua iniciativa, mas por seus ideais, o PJP (Parlamento Jovem Paulista) revelou uma imaturidade assombrosa ao propor um projeto de lei claramente repressor, cujo objetivo é censurar e punir o contato físico entre os jovens, sugerindo obscenidade em manifestações de afeto. São sete artigos muito esclarecedores do projeto de lei 67/2009, assinado por Carolina Loures Thomé, dentre os quais cito:

Artigo 1º - Os/as alunos/as das escolas públicas e particulares ficam proibidos/as de namorar com intimidades, beijos e abraços dentro das dependências escolares.

Artigo 2º - Será considerado namoro íntimo se o casal de adolescentes estiver se beijando ou abraçando ou, ainda, isolado do grupo de colegas.

É difícil acreditar na existência de tal proposta, é doloroso, sobretudo, constatar que tenha partido de uma jovem, mesmo após tantos outros jovens, cujos ideais e cujas lutas seguissem por um caminho completamente diverso.

Se a sexualidade ainda é tabu, se há casos frequentes de doenças sexualmente transmissíveis, se ainda existe constrangimento em relação ao assunto, se o sexo é mistificado, se o corpo, o amor, o desejo e suas manifestações são ainda banalizados, não é por causa da disseminada livre expressão, mas porque a sociedade em si é doentia, repressora e pervertida e porque confunde naturalidade com obscenidade.

Com tantas questões de urgência a serem resolvidas, tais como o sistema de coleta seletiva de lixo praticamente inexistente (se comparada ao sistema tradicional), a violência, a fome, a poluição e a miséria econômica e intelectual, é inconcebível a idéia de pessoas priorizarem a repressão quase Inquisitiva aos jovens. Se estes manifestam desejo e carinho de maneira banalizada e/ou promíscua, é por conta da disseminação de uma mentalidade absolutamente maliciosa, a qual não poderia gerar outro comportamento senão o próprio reflexo disso, de uma falta de instrução emocional e sexual verdadeira, sensível e natural.

É triste, ainda, notar como a massificação da humanidade torna as pessoas tão padronizadas e industrializadas ao ponto de verificar jovens priorizando, acima de tudo, os estudos, o vestibular, a entrada num Ensino Superior e a vida profissional, excluindo as relações pessoais, a sensibilidade, a manutenção emocional, a lucidez, o auto-aprimoramento, enfim.

Não tenho a intenção de ser nostálgica, mesmo porque não acredito verdadeiramente na nostalgia, mas na permanência de aspectos positivos do passado. Tendo isso em mente, prefiro acreditar que as lutas e os debates culturais da década de 60 não foram em vão, que a maioria dos jovens discorda, mesmo intuitivamente, deste projeto de lei. Eu prefiro acreditar na evolução da humanidade, apesar de tendências simpatizantes a valores retrógados de uma época pouco elucidativa. Eu prefiro, enfim, acreditar e apelar ao que há de mais íntimo e sensível nas pessoas, àquela consciência sútil, com a qual somos capazes de acreditar, esperar e lutar por um mundo melhor.


P.S.: Como o PJP é apenas uma simulação da Assembleia Legislativa, seus projetos não entram em vigor.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Olhos Furta Cor



Se marejam em lágrimas, por causa da água debulham em azul límpido.
Se o sol ofusca meu rosto, irradiam dourados.
Se de tristeza padeço, se transmutam em melancólico cinza.
Se a ira toma conta de mim, o vermelho se propaga.
Se o amor me agracia, em rosa claro traduzo o mundo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Estranhamentos

Me permitam, por favor, um momento de estranheza deste mundo.




De repente não era mais uma fila.
Eram várias pessoas paradas em pé em plena 6:30 da matina,
crentes de que se estão atrás, também estão na frente;
que se chegam antes, também podem chegar depois.
E se estão paradas, é só porque no outro instante estarão em movimento.
E por causa desse movimento, podem suportar tudo:
calor, frio, sono, sujeira, fumaça, fome, sede...


Uma vez no movimento, certamente se direcionam a um destino.
E desse destino para outro, e outro, e outro,
seja presente ou futuro;
imaginário ou real;
Num ciclo vicioso de idas e vindas.
Num delírio de vida em fluxo.
Numa razão involuntária, inerte.
Vida em continuidade, nunca estável.
Nunca plena.
Inacabável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

My Quiz from QuizYourFriends.com

A hora da verdade! MWAHAHAHHAHAHA!
1) O que queria ser quando tinha 8 anos?
Advogada
Professora
Bailarina
Psicóloga
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