sábado, 2 de abril de 2016

Feminilidade Amordaçante


E muita gente não entende mulheres em condições de risco e vulnerabilidade que muitas vezes não conseguem se separar do parceiro, seja por ameaça, seja por ter sido negado a elas estudo e condições para se sustentarem. É simples entender como uma mulher se vê coagida a fazer sexo sem camisinha, por exemplo. Faça o seguinte: observe atentamente o silenciamento sistemático de mulheres na sociedade. Observe atentamente como a sua MÃE, sua tia, sua avó, sua irmã, sua prima, sua amiga são tratadas dentro de casa, no trabalho, na escola.

As mulheres servem aos homens sempre e eu já notei que, na maioria das vezes, as mulheres são excluídas do convívio social, são ridicularizadas toda vez que abrem a boca para emitir opinião, são refutadas a todo o momento. Eu vejo isso todo o dia dentro da minha casa. Vejo homens culpando mulheres por tudo e por qualquer motivo, mulheres boicotadas, deprimidas, pressionadas. Eu vejo isso no meu trabalho, mulheres sendo jogadas para escanteio, tendo créditos roubados, reprimidas, interrompidas. Eu vi isso na minha escola, na minha faculdade, mulheres sendo corrigidas a todo o momento por homens, mulheres sendo subestimadas, ignoradas, exploradas, desencorajadas. Eu vejo isso quando ligo a TV, em novelas, em filmes, em séries, em notícias, mulheres sendo espancadas, sequestradas, estupradas, torturadas, ameaçadas, perseguidas, difamadas, censuradas. 


Basta ligar no Investigação Discovery para ter uma amostra de tudo isso, do que é feminicídio e de como ele é retratado como se não fosse, como se fosse crime "passional", como se fosse coisa de gente "desequilibrada", como se as mulheres fossem "histéricas" e "mentirosas". O que é irônico, já que é um canal televisivo que se alimenta da violência sistemática contra a mulher, tão frequente que consegue sustentar este tipo de programa a mais de 20 anos, sempre com episódios inéditos.


E depois ainda não sabem como uma mulher consegue se ver obrigada de alguma forma a fazer as vontades do homem, inclusive de não usar camisinha. Como muitas vezes as mulheres são ainda condicionadas a ACHAR que QUEREM uma coisa. Como as mulheres tem MEDO: do abandono, da rejeição, da violência, da exclusão, da MORTE. Isso faz parte da socialização da mulher, ceder, ceder e ceder. Morrer morrer e morrer. Quem não sabe disso não observou o suficiente ou finge que não vê.



quarta-feira, 30 de março de 2016

Mude o Meu Look?



Precisamos problematizar os programas televisivos voltados à "transformação de mulheres". Vira e mexe eu assisto, porque gosto de ver as combinações de roupas, mas a premissa destes programas é muito agressiva. Expõem as mulheres ao ridículo, fazem de tudo para esmigalhar a autoestima delas e, como se não bastasse, as levam a acreditar que a vida, a felicidade e a carreira dependem totalmente da aparência.

Hoje assisti uma mulher confiante, que se amava, poderosa, com os cabelos cacheados maravilhosos, cheia de personalidade, ser pouco a pouco diminuída e massacrada por uma série de críticas vazias e jocosas. Fizeram ela passar por um "experimento", no qual ela foi exercer o seu trabalho dos sonhos vestida ao seu modo, para no final pegarem a "opinião" do chefe e ele dizer que ela era "promissora", mas a aparência dela seria "um problema".

No final sobrou uma mulher triste, padronizada, de cabelos lisos e loiros e olhos apagados. Tive certeza de que ela não gostou, mas foi obrigada a falar que sim.

Até quando iremos tolerar este tipo de tratamento, pelo qual somente mulheres parecem precisar passar? Por que escolhem mulheres perfeitamente felizes com elas próprias e depois as destroem publicamente, enchem a cabeça delas com inseguranças, alimentam complexos? Até quando?

sexta-feira, 18 de março de 2016

Descompasso

O miado do gato me arranca do sono e, antes mesmo de abrir os olhos pesados, tateio o colchão freneticamente em busca do meu celular, que se tornou quase uma extensão do meu braço.
Me sinto desnorteada, como se metade de mim quisesse viver e amar ardentemente e metade estivesse inerte, pronta para entrar em coma. Com o corpo pesado e a alma leve, entro numa dicotomia paralisante. A vontade de amar e viver é igual a vontade de me apagar e cancelar o dia.
Aperto os botões do celular e a luz ofusca meus olhos semicerrados. As primeiras notícias do dia são como cafeína, sem elas permeando a minha mente não tenho o combustível necessário sequer para me deslocar ao banheiro.
Levanto e abro a porta. O gato me recebe caloroso, mia incompreendido e se enrosca nas minhas pernas. Retribuo com um afago e prossigo. Embora esteja caminhando ainda sonolenta, já quero amar, beijar, abraçar o mundo todo, mas meu corpo se recusa a obedecer prontamente e deseja apenas deitar e dormir.

domingo, 15 de fevereiro de 2015



Para fazer o belo, você não pode temer o feio.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cesta de frutas


O bolinho de arroz não poderia simplesmente se juntar à cesta de frutas...





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