terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Colo momentâneo


Eu quero estes lábios fechados. Eu quero esta cabeça tombada num colo imóvel. Esta pequena entrega muda e estável, calma, mas alerta. Passageira.

É um conforto tenso de quem, com horror, compreendeu, por um momento, esta vida que só passa e passa sem trégua. Este é, portanto, um momento de pausa forçada, da serenidade tensa de um coração obrigado a bater, pernas obrigadas a andar, cérebro obrigado a refletir, olhos obrigados a ver.

Por isso eu também quero estes olhos fechados.

O definitivo é uma das maiores aflições, pois todo este corpo funcionando, toda esta vida acontecendo, não possuem meio termo. Ou são ou não são.

Por outro lado, tudo o que é mutável é também uma das maiores agonias, a mudança é um espanto e vem acompanhada de receio.

A vida é tempo que escorre e muda ininterrupto e definitivo. Esse é o paradoxo vital. A ironia talvez mais difícil.

Se ao menos toda mudança não fosse definitiva, se ao menos esses segundos que passam incessantes fossem, no entanto, resgatáveis... Às vezes viver chega a ser insuportável.

Quero sem demora este colo que não chega a ser aconchegante, não chega a ser sequer um afago, mas é honesto na sua crueza: entende e cede, como quem precisa ver o outro livre, erguido e forte, enquanto ama muito, mas discretamente.


E, por hora, este é o colo exato para quem precisa repousar, sem, no entanto, se desviar da batalha por muito tempo. Um colo que permite vôos, sem se importar se serão breves ou não. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012


Dissolvendo este medo que me faz tremer a cada oportunidade. Dissolvendo antes que eu tenha um ataque de pânico.
Cada. Um. Deles.

Sobre a escuridão


A escuridão é um estado que deve perdurar por pouquíssimo tempo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Plano - Parte 2


Sobre a lista de resoluções para este ano:

- Plantar uma árvore de Jasmim: in progress.

- Começar a aprender japonês: checked!

- Utilizar o meu estojo de Sumiê: stand by.

- Galgar o grau de chêla: in progress.

- Ir ao DeRose Festival São Paulo: CHECKED!!!

Vim só para dizer isso.

;-)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Who wants to live forever?


Pode ser que este texto seja um tanto estranho, então falo logo para se estranhar só no início: não sei se vou viver muitos anos.

Certo. Até aí, na realidade, nenhum de vocês sabe. Quero dizer, apenas, que eu não sinto a sina da longevidade, não consigo me antecipar. Não estou me achando provável daqui dois anos.

O nome disso poderia ser, também, falta de perspectiva, mas não sei se é. Simplesmente não me visualizo lá na frente, nem com certo esforço.

De qualquer maneira, espero não ser dramática ou fatalista, mas a longevidade nunca foi um desejo meu. Sempre sonhei em ter amor e viver em paz nesta vida, apenas. Nada muito além disso. Viver muito para mim não é sinônimo de viver bem.

Só isso.

E viver muito E bem?

Aí eu já não sei. Desde que esteja vivendo bem, o resto é lucro.

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