sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Impressões sobre Paris e Noruega


- Fazem tanta propaganda com a neve. Estamos tão acostumados a achar neve a coisa mais linda e fantástica do mundo. Nos venderam tanto esta imagem mágica sobre a fofura, a inocência, a beleza, a pureza, a superioridade dos países nevados. Mas ninguém te contou o quanto a neve atrapalha, o quanto ela pode ficar suja, nem o quanto ela é banal. Talvez devêssemos começar a fazer propagandas sobre a areia das praias. Vamos botar esses gringos na inveja agora! Porque a areia é tão gostosinha de pisar, é tão gostosa de deitar, é sinônimo de liberdade, de paz interior, de férias em família... É através dela que contemplamos o mar e não há nada mais belo e significativo que o mar. Não é mesmo? Ééé sim!

- Parisienses são pontos turísticos ambulantes. E eles sabem disso. E talvez seja exatamente por este motivo que são tão grossos e impacientes.

- Por aqui esbarramos em dezenas de igrejas. Algumas incríveis como Notre Dame, que dá até vontade de ser católica, só para poder sonhar com a possibilidade pífia de se casar ali.

- Passei tanto frio em Paris com os seus sete graus negativos que mal acredito na insanidade de eu ter cogitado ir à Noruega em seguida, com seus 25 graus negativos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nós vemos TV demais


Em algumas situações, quando tenho a possibilidade de medir minhas palavras, de rascunhar minhas ações, às vezes me pego quase como se estivesse ensaiando para uma peça.

Quando percebo, minhas afirmações são como um déjà vu, e minha vida ganha narração em off, close up, trilha sonora e luz dura.

De repente, sou um clichê televisivo, e tento decidir qual roteiro eu vou seguir: se aposto numa cena de comédia romântica e arrisco tudo por achar que o mundo é perfeito, ou se assumo logo um drama e largo tudo por achar que nada vale a pena.

Se estou mais Carrie, mais Meredith, ou mais Olivia.... Se devo ser calma e sábia como o Aang, íntegra e corajosa como o Kenshin ou jogar tudo aos ares e explodir como o InuYasha

Se encaro o meu dia como na cena de "Cantando na chuva" ou como na cena de "Moulin Rouge". Se minha vida é um filme da Disney e, não importa o que aconteça, querendo ou não, eu vou ter um príncipe encantado no final da história. Ou se estou eternamente confinada a um filme do Bergman.

Se eu devo agraciar meus ouvintes com uma reflexão verborrágica como um dos personagens do Woody Allen ou se devo agir calada como a Amélie Poulain. Se luto pelo amor e pela justiça como a Sailor Moon ou se justifico a minha luta como num filme do Chan-wook Park.

Ou se eu assumo que tenho um pouco disso tudo, e que um pouco disso tudo tem também um tanto de mim, e compreendo a verdadeira natureza por trás desses retratos: somos humanos e compartilhamos das mesmas dores, mesmas incertezas e mesmas alegrias. Mesmo atrás da telinha.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Enxergar


Hoje estava enxergando tão bem, que, algumas vezes, durante os trajetos de ônibus, me assustei por não saber onde estava.

Ou... 

Será possível que, durante este tempo todo, estava enxergando tão mal assim?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estrangeira


Hoje me estranhei em tudo, desentendi meu lar, não me reconheci em nada.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Brasil


Às vezes eu tenho a impressão de que quando não existe crise, se inventa uma. O Brasil, por não ser ameaçado pelas forças da natureza, nem viver em guerra, criou a própria crise: a corrupção.

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