Mulheres grávidas parecem ser uma visão do presente e do futuro simultaneamente.
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Das Incoerências da Vida
Preciso de equipamentos para trabalhar e trabalhar para ter equipamentos. Nos sites de vagas de emprego, exigem que eu, desempregada e sem dinheiro, pague para poder ter acesso às empresas e não que às empresas paguem para ter acesso a mim. Quando me entrevistam, perguntam logo se já tenho empresa aberta, porque não querem arcar com chatíssimos direitos trabalhistas que me ajudariam a fazer o serviço, tais como vale transporte, vale alimentação, férias pagas, horas fixas etc. Não. Querem que eu pague para trabalhar com um sorriso no rosto.
Se eu estivesse trabalhando, estariam me sobrecarregando com a função de 10 pessoas e pagando por uma só. Tem que ter experiência para trabalhar e trabalhar para ter experiência. Sou muito qualificada para determinadas vagas; sou pouco qualificada para outras; sou muito jovem para certas coisas; sou muito velha para outras. Enquanto isso o tempo passa.
Falam para eu abrir o meu próprio negócio, mas preciso de dinheiro para empreender e empreender para ter dinheiro. Quero ter uma conta no banco para colocar o dinheiro, mas precisa de dinheiro para manter uma conta no banco. E com esta idade, minha mãe já tinha a primeira filha, casa, carro e metade da carteira de trabalho assinada.
Numa dinâmica em grupo, não pode falar muito de si, para não parecer arrogante, mas também não pode ficar sem falar, senão parece uma ninguém. Não pode sair organizando, porque querem pau mandado, mas não pode só ficar obedecendo, porque querem gente com iniciativa. E cuidado para não dar uma de engraçadona, porque não é profissional, mas esta cara séria é tão antipática, né?
Quero estudar para ter emprego, mas preciso de emprego para estudar. Queria fazer intercâmbio, mas se fizer é capaz de perder o bonde e quando voltar não ter mais vaga no mercado. Resolvo focar nos projetos pessoais, mas me sinto culpada por não estar mandando currículos e quando mando currículos, lembro dos projetos parados. Enquanto isso tem criança de 12 anos ganhando Nobel da Paz e descobrindo a cura do câncer.
Tantas realidades inconciliáveis numa lógica incoerente que enxerga as pessoas com data de validade e com uma rígida agenda pré-determinada, ao mesmo tempo em que romantiza os aventureiros. Muitas vezes parece que o tempo já passou, mas que o momento nunca chega. Parece que a vida não acontece, enquanto tudo muda ao redor. Tudo menos eu. Eu não aconteço, eu não sei quem sou, não sei o que faço, não sei o que quero, não sei o que sinto. Já nem opino mais. É inútil. Nada parece se transformar, nada realmente necessário. Estamos andando em círculos e não chegamos a lugar algum. Qual é o meu valor, qual é o valor do outro? Para que tudo isso?
domingo, 31 de julho de 2016
Mudar
Eu sou uma pessoa bem diferente do que eu pensava que fosse. Quem eu sou fugiu completamente do meu controle. E estou tentando lidar com erros inéditos e me desapegar da necessidade constante de agradar as pessoas, custe o que custar. Eu sou quem eu sou, se alguém tem algum problema com isso, não é da minha conta.
Talvez seja uma surpresa para as pessoas, mas eu não sou aquela imagem estática que eu mesma achei ser durante tanto tempo. Um ideal fantasioso de mim. Eu mudo o tempo inteiro, influenciada pelas situações, pelas pessoas, pelos meus pensamentos e minhas emoções. Eu simplesmente não posso mais tentar corresponder a este modelo plano e falso, não posso continuar lutando contra a natureza e me martirizando caso não interprete bem este papel para mim mesma e para os outros.
A verdade é que eu tenho medo de ser rejeitada, abandonada e, por todos os lados, vejo esta expectativa silenciosa, esta análise e também um pouco de julgamento, pelo qual as pessoas tentam decidir se vale a pena continuar ao meu lado ou não. Entretanto, no fundo tudo pode não passar de paranoia, no fundo ninguém presta tanta atenção assim, eu acho.
Deste modo, vou continuar vivendo e abraçando as minhas mudanças da melhor forma possível. Vou continuar observando meus pensamentos e minhas emoções, porque sei o quanto isso é importante para se viver feliz, mas não por causa de outras pessoas.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Quem criminalizou a vida?
Não sei quem criminalizou a inocência
A timidez
A timidez
A tristeza
E a introspecção.
Nem quem fez o desfavor de criminalizar o prazer
Nem quem fez o desfavor de criminalizar o prazer
A risada solta
O abraço apertado
O abraço apertado
E o sexo.
Também queria saber quem criminalizou a sinceridade
Também queria saber quem criminalizou a sinceridade
A gordura localizada
As declarações piegas de amor
As declarações piegas de amor
E a liberdade.
Não sei quem é, mas...
Ô. Sujeito. Amargo.
Sujeito estranho.
Reprimido.
Vê se toma jeito!
Trate de descriminalizar!
Tudo isso é natural e mal não faz.
Deixem-nos viver nossas vidinhas em paz.
sexta-feira, 18 de março de 2016
Descompasso
O miado do gato me arranca do sono e, antes mesmo de abrir os olhos pesados, tateio o colchão freneticamente em busca do meu celular, que se tornou quase uma extensão do meu braço.
Me sinto desnorteada, como se metade de mim quisesse viver e amar ardentemente e metade estivesse inerte, pronta para entrar em coma. Com o corpo pesado e a alma leve, entro numa dicotomia paralisante. A vontade de amar e viver é igual a vontade de me apagar e cancelar o dia.
Aperto os botões do celular e a luz ofusca meus olhos semicerrados. As primeiras notícias do dia são como cafeína, sem elas permeando a minha mente não tenho o combustível necessário sequer para me deslocar ao banheiro.
Levanto e abro a porta. O gato me recebe caloroso, mia incompreendido e se enrosca nas minhas pernas. Retribuo com um afago e prossigo. Embora esteja caminhando ainda sonolenta, já quero amar, beijar, abraçar o mundo todo, mas meu corpo se recusa a obedecer prontamente e deseja apenas deitar e dormir.
Me sinto desnorteada, como se metade de mim quisesse viver e amar ardentemente e metade estivesse inerte, pronta para entrar em coma. Com o corpo pesado e a alma leve, entro numa dicotomia paralisante. A vontade de amar e viver é igual a vontade de me apagar e cancelar o dia.
Aperto os botões do celular e a luz ofusca meus olhos semicerrados. As primeiras notícias do dia são como cafeína, sem elas permeando a minha mente não tenho o combustível necessário sequer para me deslocar ao banheiro.
Levanto e abro a porta. O gato me recebe caloroso, mia incompreendido e se enrosca nas minhas pernas. Retribuo com um afago e prossigo. Embora esteja caminhando ainda sonolenta, já quero amar, beijar, abraçar o mundo todo, mas meu corpo se recusa a obedecer prontamente e deseja apenas deitar e dormir.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Lapso de realidade (ou Olhar atento)
Às vezes me pego olhando algo ou alguém como se fosse a primeira e última vez. Como um lapso no qual eu, no futuro, encarno e desperto no meu corpo presente apenas para vivenciar situações que já se foram.
Passar um milésimo de segundo a mais com aquela pessoa adorada e seu sorriso amável ou seu olhar distraído e inadvertido.
Afagar meu cão e o meu gato mais uma vez, sentir a textura dos pelos e a respiração que faz subir e descer o peito sonolento.
Observar minha mãe se arrumando para o trabalho com mais atenção, sentir o calor do secador de cabelo e o perfume adocicado que se pronuncia nos vapores do banho.
Tocar minhas plantas na varanda, inspirar a brisa úmida da terra recém aguada e interpretar as poucas nuvens que flutuam no céu muito azul.
É inacreditável como sou afortunada. Desejo ardentemente que o momento não se vá, até que ele se torna, por um instante, infinito. Para depois escorregar etéreo como o véu de Maya.
Silêncio. Paz. Gratidão.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Nós vemos TV demais
Em algumas situações, quando tenho a possibilidade de medir minhas palavras, de rascunhar minhas ações, às vezes me pego quase como se estivesse ensaiando para uma peça.
Quando percebo, minhas afirmações são como um déjà vu, e minha vida ganha narração em off, close up, trilha sonora e luz dura.
De repente, sou um clichê televisivo, e tento decidir qual roteiro eu vou seguir: se aposto numa cena de comédia romântica e arrisco tudo por achar que o mundo é perfeito, ou se assumo logo um drama e largo tudo por achar que nada vale a pena.
Se estou mais Carrie, mais Meredith, ou mais Olivia.... Se devo ser calma e sábia como o Aang, íntegra e corajosa como o Kenshin ou jogar tudo aos ares e explodir como o InuYasha.
Se encaro o meu dia como na cena de "Cantando na chuva" ou como na cena de "Moulin Rouge". Se minha vida é um filme da Disney e, não importa o que aconteça, querendo ou não, eu vou ter um príncipe encantado no final da história. Ou se estou eternamente confinada a um filme do Bergman.
Se encaro o meu dia como na cena de "Cantando na chuva" ou como na cena de "Moulin Rouge". Se minha vida é um filme da Disney e, não importa o que aconteça, querendo ou não, eu vou ter um príncipe encantado no final da história. Ou se estou eternamente confinada a um filme do Bergman.
Se eu devo agraciar meus ouvintes com uma reflexão verborrágica como um dos personagens do Woody Allen ou se devo agir calada como a Amélie Poulain. Se luto pelo amor e pela justiça como a Sailor Moon ou se justifico a minha luta como num filme do Chan-wook Park.
Ou se eu assumo que tenho um pouco disso tudo, e que um pouco disso tudo tem também um tanto de mim, e compreendo a verdadeira natureza por trás desses retratos: somos humanos e compartilhamos das mesmas dores, mesmas incertezas e mesmas alegrias. Mesmo atrás da telinha.
Ou se eu assumo que tenho um pouco disso tudo, e que um pouco disso tudo tem também um tanto de mim, e compreendo a verdadeira natureza por trás desses retratos: somos humanos e compartilhamos das mesmas dores, mesmas incertezas e mesmas alegrias. Mesmo atrás da telinha.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Enxergar
Hoje estava enxergando tão bem, que, algumas vezes, durante os trajetos de ônibus, me assustei por não saber onde estava.
Ou...
Ou...
Será possível que, durante este tempo todo, estava enxergando tão mal assim?
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Beleza
Reparando bem naquelas mulheres de capa de revista, naqueles corpos inacreditavelmente saudáveis, naquelas roupas impecáveis, naqueles cabelos perfeitamente alinhados, naqueles rostos iluminados, quase recém nascidos.
Reparando bem, de repente não acho nada disso belo.
De repente é uma beleza engessada, de boneca bibelô.
Possível apenas na utopia de uma página de revista, morta como elas.
Possível apenas na utopia de uma página de revista, morta como elas.
Beleza mesmo é ter a blusa amarrotada e os cabelos aos ventos, sem ligar se chove ou se faz sol. É andar descalça e lixar as unhas sem prestar muita atenção. É receber o mundo sem uma gota de maquiagem no rosto, mas com um enorme sorriso.
A beleza está em quem vive sem medo de viver.
A beleza está em quem vive sem medo de viver.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Pessoas simples
Eu me assustei quando olhei para o seu rosto novamente. Fazia tanto tempo, já havia me esquecido de como é. E imediatamente fui tomada por um pressentimento de mundo incorrigível, um calafrio... Recuei abalada. E olhei um pouco mais de longe. Notei como tudo isso é bobagem, como, de fato, tudo pode ser muito mais simples do que aparenta.
A vida é simples, mas não por isso menos dolorosa. Há certo... Como posso dizer? Há certo... Temor na simplicidade - digo isso temendo, até, a palavra temor -. Estremeço imaginando como ser simples pode também significar ser duro em sua tranquilidade, monossilábico em sua praticidade. Ser simples é andar sempre em frente, é contornar, indiferente, os problemas.
Ser simples, para mim, é também ser insensível. E por ser complexa como sou, acho que não sei lidar com isso sem me assustar. As pessoas simples me deixam desconfortável, elas me escapam, nunca entendo suas impressões de mundo, são imprevisíveis.
Às vezes imagino se as pessoas simples não são, na verdade, muito complexas para corresponderem a isso através de seus atos. Talvez vivam numa imensidão compreendida apenas por elas e mais ninguém, por isso se tornam um mistério absoluto. Já conheceram Lord Henry Wotton, de "O Retrato de Dorian Gray"? Ele é uma pessoa simples, mas verborrágica.
Não gosto quando pessoas simples se fazem de complexas, por outro lado. Parecem indiferentes, mas com tal acidez... Decidiram ignorar odiando, ao invés de ignorar desistindo. Desistindo, por antecedência, de explicar porque ignoram, porque seguem em frente e porque abandonam com tanta facilidade.
Acho que hoje simplesmente estou assustada.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Você Rafael
Assim como a minha eu idosa, você, Rafael, é tão você. Não é mais tão aquele que me acompanha, o Niquito. É outra pessoa, tão cheia de histórias e verdades, tão para si, tão você. Tão você sem mim.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
20 primaveras
E eu que nunca notei a primavera hoje a percebo como quase uma extensão de mim mesma.
Incrível como passei 20 primaveras sem realmente notá-las. A primavera é justamente a estação indefinida... Como eu... Como eu, após viver 20 delas...
E quando olho no espelho, tento procurar o que há de tão 20 em mim, tento enxergar do que é feito meu rosto e se me orgulho dele. Se tive, afinal, uma vida feliz até hoje, se estou realizada...
E por que 20 anos é uma idade tão decisiva? Parece que, de repente, precisamos muito fazer algo importante nesta idade, como, sei lá, descobrir a cura do câncer, abrir uma micro empresa que um dia será tão relevante quanto a Apple, colocar o pézinho na estrada rumo uma carreira incomparável de artista.
E é com 20 anos que entramos na próxima casa decimal, pela primeira vez. Assustador. Depois dos vinte, o tempo passa voando, já me disseram. E já me disseram também, se não mudou até os 20, não muda nunca mais.
E minha mãe que teve a primeira filha com 25? E pensar que isso está a apenas 5 anos de diferença de mim... Impossível! Em cinco anos não é possível atingir um grau de maturidade tão superior ao que eu conquistei até agora, ao ponto de cuidar de um filho.
Há algo de amedrontador nos 20, afinal... Algo de inalterável, como se não houvesse mais volta nem destino.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O Todo de cada um e cada um no todo
De repente eu não soube mais para onde ir. Tornei-me estrangeira. Me vi cercada de todos, mas não de todos como um todo, uma massa, mas de todos "cada um". E em cada um contém um constrangimento tão grande em estar lá no todo. E o constrangimento de estar sem ser. E eu, não sendo, não fui. Só fui mesmo é embora dali, longe do todo, mas também longe de mim mesma.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Dúvidas
Quando adotamos certas condutas consideradas positivas, adotamos para nós mesmos ou para os outros? E se isso nos satisfaz, é porque nos agrada ou porque agrada aos demais? Como saber se a nossa satisfação advém de nós mesmos ou da imagem que passamos para quem nos assiste?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Estranhamentos 2
Me permitam um segundo momento de estranhamento deste mundo.
De repente não era mais um nobre ideal, mas uma teima.
De repente, não era mais um objetivo óbvio, mas uma necessidade biológica.
De repente não eram mais senhores e senhoras de idade procurando auxílio, mas pessoas se apegando ao nada.
Na teima de se manterem vivas, fazem de tudo, aturam até mesmo o próprio inferno na Terra.
Vivem vidas que não desejavam viver
São pessoas que não gostariam de ser
Lamentam sonhos não vividos
Não se renovam, não inovam, não enxergam.
Apesar de caminharem a muito tempo
Apesar de terem vivenciado muitas experiências
Prosseguem nas mesmas condições primordiais
Com as mesmas necessidades e virtudes
Com os mesmos impulsos e desejos
Mobilizam, inclusive, outros a colaborarem com esse desejo mesquinha e sem sentido de existir, ocupar espaço no mundo, mais um átomo de grão de areia no Universo entre tantos.
De repente não era mais um nobre ideal, mas uma teima.
De repente, não era mais um objetivo óbvio, mas uma necessidade biológica.
De repente não eram mais senhores e senhoras de idade procurando auxílio, mas pessoas se apegando ao nada.
Na teima de se manterem vivas, fazem de tudo, aturam até mesmo o próprio inferno na Terra.
Vivem vidas que não desejavam viver
São pessoas que não gostariam de ser
Lamentam sonhos não vividos
Não se renovam, não inovam, não enxergam.
Apesar de caminharem a muito tempo
Apesar de terem vivenciado muitas experiências
Prosseguem nas mesmas condições primordiais
Com as mesmas necessidades e virtudes
Com os mesmos impulsos e desejos
Mobilizam, inclusive, outros a colaborarem com esse desejo mesquinha e sem sentido de existir, ocupar espaço no mundo, mais um átomo de grão de areia no Universo entre tantos.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Estranhamentos
Me permitam, por favor, um momento de estranheza deste mundo.
De repente não era mais uma fila.
Eram várias pessoas paradas em pé em plena 6:30 da matina,
crentes de que se estão atrás, também estão na frente;
que se chegam antes, também podem chegar depois.
E se estão paradas, é só porque no outro instante estarão em movimento.
E por causa desse movimento, podem suportar tudo:
calor, frio, sono, sujeira, fumaça, fome, sede...
Uma vez no movimento, certamente se direcionam a um destino.
E desse destino para outro, e outro, e outro,
seja presente ou futuro;
imaginário ou real;
Num ciclo vicioso de idas e vindas.
Num delírio de vida em fluxo.
Numa razão involuntária, inerte.
Vida em continuidade, nunca estável.
Nunca plena.
Inacabável.
De repente não era mais uma fila.
Eram várias pessoas paradas em pé em plena 6:30 da matina,
crentes de que se estão atrás, também estão na frente;
que se chegam antes, também podem chegar depois.
E se estão paradas, é só porque no outro instante estarão em movimento.
E por causa desse movimento, podem suportar tudo:
calor, frio, sono, sujeira, fumaça, fome, sede...
Uma vez no movimento, certamente se direcionam a um destino.
E desse destino para outro, e outro, e outro,
seja presente ou futuro;
imaginário ou real;
Num ciclo vicioso de idas e vindas.
Num delírio de vida em fluxo.
Numa razão involuntária, inerte.
Vida em continuidade, nunca estável.
Nunca plena.
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